sábado, 7 de maio de 2011

Um bilhete com letras de garranchos.

Peço que na minha ausência.
Abra o guarda-chuva em dias chuvosos.
Não fique só quando estiver doente.
Não escute música pop e fique alegre com isso.
Que não seja preciso pentear os cabelos.
Acabe o café da garrafa térmica, várias vezes.
Leia aquele livro da Lispector repetidamente.
Coma ameixas vendo Los Abrazos Rotos.
Não ache que toda paixão é amor.
Fique com os olhos molhados no escuro.
Se embriague pouco com ópio e cigarros.
Tire dias para ficar só.
Ao me procurar, não diga ‘oi?’.
Também não diga, eu te amo praquela nas madrugadas.
Sinta saudades dos meus lábios avermelhados.
Veja aquela foto em preto e branco, que meus olhos te dizem algo.
Escute Werewolf antes de dormir.

Acordei um dia.
Cansada.
Você estava do outro lado da cama.
Contemplei teu rosto adormecido.
Deparei que já não me via em teus olhos.
Não pense que fui por aquela paixão cheia de efemeridades.
Fui porque quis. Porque era preciso.
Não te suporto assim.
Que saiba disso. Que saiba.

Escrevi esse bilhete, mas não foi eu que me afastei.
Resolvi sair por aquela porta que tantas vezes chegamos aos tropeços, tontos de risadas altas que incomodavam os vizinhos.
Diferentemente daquela música, o bilhete não é azul e tão pouco fui pra Bahia.
Não mudei de estado.
Esbarrar-nos-emos na Lapa ou em Botafogo, tanto faz.
Silenciar-me-ei para apenas não dizer:
Saudades.

domingo, 1 de maio de 2011

Ava Luna e minha imaginação com pessoas dançando.

"O menino teve coragem, olhou pra menina e pediu pra dançar, uma música misturada de jazz, eletro-funk, um rock indiezinho. Dançar, sem timidez daquelas pessoas que estão a beber seus vinhos e chacoalhando seus ombros, sentadas."

É essa imagem brega que tenho quando escuto Ava Luna, uma banda de 7 pessoas com 4 vocais. Cantando um soul-music. seja lá o que for.
Com lembranças de Paolo Nutini à Black Keys.
Indicação de um amigo chamado Marcelo ele me mostrou ontem (sábado, 30 de abril de 2011) esse video:
 
 Depois me veio esse video:
E eu já estou aqui indicando o som dessa banda.
Porque vale ter essas viagens de pessoas dançando sem timidez.

sexta-feira, 29 de abril de 2011


It's the last goodbye, I swear.
I can't survive on a half-hearted love that will never be whole

segunda-feira, 25 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dentro da Vitrine.


Uma pequena história do menino de chapéu nouvelle vague.

Dentro da vitrine, aquela menina está.
Por desventura do destino, ou por falta de sorte, aquela sorte em que Woody Allen tanto diz que é essencial para o acaso de nossas vidas que nesse caso não foi o meu acaso. Ela entrou.

Eu disse pra ela que entraria e sentiria feliz.
Ela sempre me perguntava o porquê de eu não entrar, de sempre estar vestido da mesma maneira, de nunca tirar meu chapéu nouvelle vague, de sempre ter as mesmas opiniões, de viver nessa vida preto e branco...
Eu dizia que era pra não ser feliz dentro da vitrine.
- De que importa entrar ou não na vitrine? Não se é feliz lá dentro? Não é isso que importa a tantos outros?  Entrarei lá e quero que perca as chaves e nunca me tire, entendido? Melhor! Te darei as chaves pra um dia, então, você mudar de idéia entrar e me fazer companhia. Dizia ela.
Então, ela entrou, virei um espectador da vitrine, como se ela fosse uma tela de cinema, como forma farsante de um teatro dentro da vitrine.
Comprava pão e aproveitava pra acompanhar de perto como estava à felicidade dela dentro da vitrine.
Vi ela aprender tocar violão, a fazer cinema, conhecer outros rapazes sem chapéu nouvelle vague, vi ela dançar de olhos fechados ao som de ‘my body is a cage’ apesar de ser triste a canção ela sorria, ela sorria como se fosse algo bom.
Desisti de acompanhar sua felicidade dentro da vitrine, desisti de vê-la dentro daquela tela de cinema de um jeito teatral.
Ela se tornou como todos, menos como sou.
Perdi as chaves.
E deixei a menina ser feliz dentro da vitrine.