Eu odeio o teu silêncio e odeio quando me deixar ir embora.
Eu sempre fico.
Não tenho mais coragem de descer as escadas.
Me dá um medo de você não ir atrás.
De me deixar. Ir embora.
Eu por muitas vezes abri essa porta, sai.
Não apareci por semanas, meses.
E eu já experimentei ficar sem você.
Ver os filmes do Kar-Wai não tem a mesma intensidade.
Ouvir Cat Power é mais dolorido.
Ler Uma Aprendizagem ou o Livros dos Prazeres.
E querer que tu leia.
Escrever. Nossa. Escrever.
Escrevi cartas, tantas nas madrugadas.
Pra ti, só.
Não enviei.
E voltei.
Bati na porta.
E te encontrei refeito.
Eu pisei em desamores.
Fui ao médico.
Ele disse que não tinha remédio pro que eu sentia.
Tentei te esquecer com ópio.
Desisti.
Pois, gritava teu nome nas ruas.
Enfim.
Fiz o diabo a quatro!
Mentira.
Você não está refeito.
Falta algo.
Eu sei.
Isso ta demarcado com partidas e vindas.
Eu sei desse olhar.
Eu conheço esse corpo.
Eu mato minha sede na tua saliva.
Esse amor todo, esse amor todo.
Não sei.
Não posso te responder de onde vem!
Só sei, que está aqui permanente.
E se eu te disser agora.
Sem Ar.
Gaguejando.
Que te amo.
E que eu quero que você não me deixe ir embora.
O que faria?